Cartões
de crédito agora migram o espaço do crediário
Depois
de ganhar boa parte do mercado de cheque como meio de pagamento,
as empresas de cartão agora querem ocupar o espaço
das financeiras nas operações de crédito direto
ao consumidor (CDC), popularmente conhecido como crediário.
O setor de cartões de crédito deve movimentar R$ 127,6
bilhões em vendas este ano.
Ao final de outubro, os financiamentos via cartão de crédito
representavam 10,76% do total de crédito ao consumo do País,
somando R$ 11,23 bilhões, segundo dados do Banco Central.
Já os financiamentos para aquisição de bens
(excluindo veículos) — em que se contabiliza o CDC
— devem equivaler a 9,19% do total, atingindo R$ 9,59 bilhões
em outubro.
A estratégia de expansão vai seguir por duas frentes:
clientes finais e empresas credenciadas. De um lado, idéia
é fazer com que, ao decidir por uma compra a prazo, o consumidor
opte pelo pagamento com cartão de crédito, com juros,
em vez de abrir o crediário no balcão das financeiras.
Segundo o diretor-executivo de marketing da Credicard , Fernando
Chacon, a empresa está disposta a baixar os juros do parcelamento
para elevar a participação neste segmento.
A segunda ação é firmar acordos com as empresas
para estimularem o uso do cartão por parte dos seus clientes.
Os principais segmentos com expectativa de crescimento são:
material de construção, turismo e entretenimento e
veículos. Em 2005, o segmento moradia (que inclui material
de construção e eletrodomésticos) respondeu
por 15,3% dos gastos com cartão de crédito no País.
As despesas com turismo e entretenimento foram 13,3% do total e
as do segmento de veículos ficaram com 12,0%. “Esses
três segmentos tem uma grande potencial em volume de negócios”,
justifica o presidente da Credicard. No segmento de veículos,
a atuação da Credicard, por exemplo, será concentrada
nas concessionárias e oficinas mecânicas. No segmento
de turismo, a ação ocorrerá para a venda de
pacotes turísticos nas agências de viagens e operadoras.
No setor de material de construção, o Banco do Brasil
(BB) e a Caixa Econômica Federal já estão ampliando
as operações. Alinha de crédito do BB para
compra de material de construção pode ser ativada
pelo cartão e tem limite máximo de R$ 10 mil e taxa
de juros de 1,90% a 2,90% ao ano. Na Caixa, o Construcard, é
um tem limite de até R$ 180 mil com juros de 1,65% ao mês.
Parcelamento da fatura
Para se adaptar à cultura do brasileiro de olhar o valor
da parcela na hora de decidir por um financiamento, as empresas
de cartão já criaram o “parcelamento da fatura”.
Desta forma, eles adaptam o crédito rotativo, com opção
de pagamento mínimo, em um financiamento com parcelas fixas,
que é mais facilmente compreendido pelos consumidores.
Segundo Chacon, o parcelamento da fatura já representa hoje
8% do total de receita com financiamento da Credicard. Financeiras
controladas por grandes bancos — Fininvest , do Unibanco ,
Losango , do HSBC , Taií , do Itaú e CitiFinancial
, do Citibank — já indicaram que pretendem usar os
cartões de crédito com bandeira como meio de financiamento.
Uma mostra disso, é o número de novos cartões
de crédito emitidos este ano. Após um crescimento
médio anual de cinco milhões a seis milhões
nos últimos anos, o total de cartões emitidos cresceu
nove milhões em 2004 e 13,3 milhões este ano.
O presidente da Credicard atribui o aumento de plásticos
emitidos acima da média, ou cerca de dez milhões nos
últimos dois anos, à migração dos private
label (cartões de loja) das financeiras, para cartões
com co-branded, de grande aceitação com bandeiras
Visa e MasterCard .
Segundo Renato Oliva, diretor da Associação Brasileira
dos Bancos Comerciais (ABBC), as financeiras também querem
vender com cartão. “Os bancos e financeiras precisam
se aproximar dos clientes a fim de suprir suas necessidades. Se
essa for um financiamento via cartão de crédito, a
instituição que oferecer o produto já estará
à frente das outras e conquistará o cliente. Não
há um movimento para bancos e financeiras entrarem em conflito
com as bandeiras”.
Fonte: jornal DCI - edição de 13/12/2005 - Fernando Torres e
Vanessa Correia