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Cartão presente será novidade este ano

Neste Natal, os cartões-presentes prometem ser a solução para inseguros e indecisos. Ferramenta indispensável para o “Papai Noel” de última hora, os tíquetes caíram no gosto dos hipermercados e lojas de departamento. É a lembrança natalina descompromissada, sem culpa e imune a arrependimentos.

Extra, Wal-Mart, Lojas Americanas e C&A vendem os cartões. Os valores podem ir de R$ 15, como é o caso do mais barato oferecido pelas Lojas Americanas, ou não ter limite — no Wal-Mart, ele é recarregável e quem vai dar o presente pode colocar a quantia que quiser. As lojas não detalham como o produto está inserido em seus faturamentos, mas admitem que os vales têm mercado potencial. O conceito de cartão que substitui o presente se expandiu no mercado no fim da década de 90 e se define por permitir ao presenteado escolher o que quiser, dentro do valor prédefinido.

O grupo Cinemark lançou neste fim de semana o cartão-presente. A idéia é aproveitar a principal data comemorativa do ano para divulgar o produto, que permite economia de até 50% no preço dos ingressos. O cartão terá um preço único, de R$ 55, que dará direito a seis entradas em salas da rede. “O cartão é mais uma forma de chegar ao mercado. Queremos vender neste mês até 80 mil ingressos”, planeja o presidente da rede no Brasil, Valmir Fernandes. Esse volume, segundo ele, corresponde a cerca de 3% do total de ingressos vendidos.

Apesar de representar uma baixa participação no faturamento total da empresa, o volume está na média do desempenho dos cartões-presente no país, nos mais diferentes segmentos. Desde que abriu as portas em Brasília, o restaurante Outback Steakhouse tenta fazer com que o seu vale-presente caia nas graças do consumidor. Em outubro deste ano, as vendas do tíquete mais que dobraram — passaram da média de R$ 2 mil por mês para R$ 5 mil —, mas ainda assim correspondem a apenas 1% do faturamento do restaurante na capital. “Nos últimos meses investimos na divulgação interna e as vendas melhoraram. A vantagem do vale-presente é que é uma venda a mais. Fora que você acaba conquistando o cliente presenteado”, afirma o sócio-proprietário em Brasília, Nazaré Barros. Dos três valores oferecidos — R$ 25, R$ 50 e R$ 100 — o mais caro é o campeão de vendas.

A idéia casou perfeitamente com a dificuldade da assistente administrativa Germana de Melo Ferreira, de 30 anos, de escolher presentes. Recentemente, ela comprou no Pátio Brasil um cheque-presente no valor de R$ 100 para dar à amiga Elen Cristina Nogueira, de 20 anos. “Ela tem tudo. Eu não sabia o que dar. Foi bom porque a deixei livre para escolher o que queria”, afirma. E Ellen diversificou bastante os gastos. Com o valor do vale, comprou uma blusa “que queria muito”, bombons e lanchou na praça de alimentação do shopping. “Eu gostei. É horrível quando você ganha alguma coisa, não gosta e tem que trocar. Foi bom porque foi tudo a meu gosto e nem corri o risco de magoar a minha amiga por trocar presente”, afirma.

Tradicionais Lançado em agosto do ano passado, o cheque-presente deverá ocupar um espaço maior nas vendas a partir do Natal deste ano, segundo expectativa dos administradores do shopping. No Natal passado foram vendidos 3 mil deles. Neste ano, a estimativa é dobrar, segundo o gerente de Marketing, Renato Horne.

O uso de vale-presente têm mais sucesso e tradição no mercado de CDs, DVDs e livros. Apesar de reconhecer sua importância para atender principalmente àquelas pessoas que não querem correr o risco de errar, o diretor da Livraria Cultura, Fábio Herz, não vê muito mercado para que o produto se expanda. Atualmente os vales — de valores que vão de R$ 30 a R$ 100 — respondem por muito pouco das vendas da empresa. No melhor mês, em dezembro, chega a 1% do faturamento.


Fonte: jornal Correio Braziliense - edição de 05/12/2005 - Mariana Flores