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Alta renda terá cartões exclusivos

Brasileiros endinheirados e detentores de grandes fortunas poderão usufruir em breve de cartões de crédito exclusivos. Duas grandes bandeiras, MasterCard e American Express , devem lançar nos próximos meses um ‘plástico’ com benefícios feitos sob medida para milionários e anualidades que podem chegar a R$ 1 mil.

A aposta se sustenta na estimativa de que ainda há espaço para crescimento no segmento. Estima-se que cada cliente de alta renda possua em média quatro cartões de crédito. O mercado calcula que cerca de 30% não são usuários do plástico. Além disso, muitos dos que possuem não o utilizam com freqüência.

Recente pesquisa do Instituto Nielsen , feita a pedido da Mastercard, traçou um panorama da relação da classe A com os plásticos. O levantamento constatou que 75% das pessoas do segmento utilizam o cartão para pagar 15% das compras. Ou seja, a preferência pelo dinheiro e o cheque é grande e demonstra um potencial para aumento das transações.

Já focada nas classes A e B, com os cartões Platinum, a American Express está em fase de estudos para lançar no País o Centurion. Trata-se do um plástico mais nobre da empresa e conta com serviços e benefícios exclusivos para altíssima renda, como um consultor exclusivo, chamado de personal stylist, em lojas de alto consumo.

“Esse cartão já está disponível em diversos países, como Estados Unidos, Alemanha e México”, afirma Fernando Poyares, gerente da American Express. “Percebemos que há uma demanda por esse tipo de serviço financeiro que não é atendida. Estamos avaliando o melhor momento de lançá-lo no Brasil”.

Enquanto o Centurion não chega, a empresa pretende turbinar as transações do Platinum, com o lançamento do Platinum Card, voltado para alta renda e não possui limite. O Platinum Card pode ser utilizado na aquisição de bens de grande valor, como automóveis. Esse benefício tem como contrapartida a exigência de pagamento total da fatura no vencimento.

A nova linha cobrará uma taxa de 3,99% ao mês, ante os cerca de 12% cobrados por outros cartões. Também haverá a possibilidade de financiar a dívida tomada na utilização de outros cartões, com taxa de juros reduzida (1,99% ao mês).

Essa linha é dedica ao público mais preocupado com os aspectos financeiros da utilização do crédito. Trata-se de clientes que planejam os gastos com mais cuidados e tem certa familiaridade com o mundo das finanças. A American Express também possui uma versão do Platinum dedicada a pessoas que estão mais interessadas em gastos com entretenimento e traz benefícios relacionados a viagens e hospedagem.

A Mastercard pretende lançar no País o chamado cartão World, que atualmente é distribuído em países da Europa, Japão e Estados Unidos. Com benefícios adicionais em relação ao cartão que a empresa já dedica aos clientes de alta renda, o novo plástico deve ser distribuído pelos canais dos bancos como Bradesco e Itaú para esse público.

A Mastercard e Visa também mantêm cartões para as classes A e B como o nome de Platinum, assim como a American Express. A Visa oferece aos clientes as marcas Infinity e Signature. Todos oferecem benefícios e seguros que não estão dispostos ao grande público.

Um dos destaques são as centrais de atendimento 24 horas que costumam executar tarefas pouco comuns, como enviar flores a pessoa indicada pelo titular ou encomendar trajes para festas à fantasia. Tanta comodidade, porém, é reservada para poucos.

Nos países em que já estão consolidados, os cartões para altíssima renda se transformaram em um símbolo de status e são oferecidos somente aos clientes com longo históricos de relacionamento com a empresa e gastos elevados efetuados com o plástico. Embora sejam recheados de benefícios que realmente interessam aos clientes, como acumulo de milhas para viagens e taxas menores de juros, os cartões de alta renda têm que ser encarados com cautela, indica Erasmo Vieira, especialista em finanças pessoais. É preciso não se deixar levar pela comodidade e a possível redução no custo do crédito rotativo. Taxas de juros de 4% ao mês ainda estão em patamares elevados. “Mesmo quem tem mais dinheiro, tem que ficar atento para não cair chamada bola de neve do rotativo e acabar criando sem perceber uma dívida muito grande”, diz Vieira.


Fonte: jornal DCI - edição de 27/10/2005 - Antonio Perez