Além
de roupas Renner venderá serviços financeiros
Livre
das amarras impostas pela política mais contida da antiga
controladora americana J.C. Penney para o Brasil, a Lojas Renner
passará a oferecer no início 2006 serviços
financeiros como seguros, planos de capitalização
e empréstimos pessoais, disse ontem o presidente José
Galló.
O modo de ingresso no novo segmento está sendo estudado e
as possibilidades incluem a abertura de um banco próprio,
a formação de uma joint venture com uma instituição
financeira ou parcerias pontuais com empresas especializadas em
cada um dos produtos que serão comercializados. Hoje a rede
opera com o Santander, que intermedeia as vendas financiadas com
o cartão próprio.
Em julho, a J.C. Penney vendeu 100% das ações da Renner
em uma oferta na Bolsa de Valores de São Paulo. O controle
da empresa está hoje 100% pulverizado. Antes disso, a multinacional
americana não tinha interesse em prestar serviços
financeiros no Brasil porque precisaria se reportar ao Fed, o banco
central americano, submetendo-se a uma "burocracia" muito
grande.
De acordo com o executivo, os 8,5 milhões de cartões
de crédito próprios previstos para o fim deste ano
(ante 7,6 milhões em dezembro de 2004 e 8 milhões
atualmente), que respondem por 78% das vendas da rede, servirão
de instrumento para oferecer os serviços financeiros aos
clientes partir de 2006.
O novo segmento também deverá aumentar o índice
de cartões ativos (utilizados pelo menos uma vez por ano),
hoje na faixa de 50%, e o trânsito nas lojas, com ênfase
nos 35% a 40% da população que está fora do
sistema bancário, disse o presidente.
Além da expansão dos serviços financeiros,
a Renner também irá dobrar o ritmo de expansão
nos próximos quatro anos. A empresa, que chegará ao
fim de 2005 com 66 lojas em dez Estados do Sul, Sudeste e do Centro-Oeste
e no Distrito Federal, vai abrir pelo menos mais oito por ano até
2009 e ingressar finalmente no mercado do Nordeste, onde serão
instaladas 17 das 32 novas unidades programadas para o período.
A J.C. Penney adquiriu o controle da Renner em 1998 e, desde 2000,
a rede aumentou de 49 para 66 lojas, incluindo as que serão
inauguradas hoje em Osasco (SP) e em novembro em São Leopoldo
(RS), numa média de 3,4 por ano. Segundo Galló, a
antiga controladora considerava suficiente a abertura de quatro
a cinco unidades por ano.
Agora, com a totalidade do capital nas mãos de fundos de
investimentos dos Estados Unidos (40%), da Europa (38%) e do Brasil
(22%) e apenas ações ordinárias em circulação,
a Renner sente-se mais estimulada a crescer. "O mercado gosta
de crescimento. Tínhamos potencial e só não
fazíamos isto por definição da controladora",
afirmou o executivo, que gere a empresa desde 1991.
Mesmo assim, conforme Galló, o valor de mercado da companhia
pulou de US$ 220 milhões em 1997, antes da entrada da J.C.
Penney, para perto de US$ 600 milhões atualmente.
Segundo o executivo, agora o grande desafio dos administradores
é estimular os gestores dos fundos americanos e europeus,
que não estão "acostumados" com corporações
em países emergentes, a participar com mais freqüência
das assembléias da Renner.
Neste ano, os investimentos totais da empresa na ampliação
e modernização da rede, além de novos sistemas
de informática e gestão, chegam a R$ 50 milhões.
O orçamento para 2006 não está fechado, mas
cada nova loja custa, em média, de R$ 4 milhões a
R$ 4,5 milhões. "O valor será maior, mas não
sei ainda quanto", disse Galló. Das oito novas unidades
programadas para o ano que vem, pelo menos quatro serão no
Nordeste, possivelmente na Bahia e em Pernambuco.
Galló não quis comentar o desempenho da Renner no
terceiro trimestre. Os resultados serão divulgados amanhã
e, apesar da antecipação das promoções
por conta da ausência de um inverno mais rigoroso no Sul do
país, a empresa mantém a projeção de
aumentar em 14% a 16% as vendas totais, que renderam perto de R$
1,3 bilhão brutos em 2004.
Fonte: jornal Valor Econômico - edição de 27/10/2005 -
Sérgio Bueno