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Adaptação de sistema ao chip opõe empresas de cartão e varejistas

As empresas de cartões começam a travar uma disputa com os grandes varejistas — em especial os supermercados — para a adaptação dos sistemas das lojas ao recebimento com cartões com chip. A discussão é sobre quem vai arcar com os custos dessa mudança de sistema. Os emissores de cartão e as bandeiras defendem a adaptação para diminuir as perdas com fraudes e roubos dos plásticos. Os varejistas concordam com a modernização, mas não querem pagar a conta.

O lado dos cartões admite pagar uma parcela dos custos, mas exige que os comerciantes também entrem com uma parte. Para pressionar, existe até a ameaça de adoção da liability shift, ou transferência de responsabilidade sobre as fraudes. Isso significa que em caso de venda com fraude, os emissores de cartões cobrariam dos comerciantes o prejuízo.

Segundo o diretor de produtos da Visa do Brasil , Percival Jatobá, os bancos emissores também entraram na negociação, o que dará maior força para o lado dos cartões na disputa. Apesar de reconhecer que exista o impasse, Jatobá acredita que haverá uma solução negociada para o assunto, sem a necessidade de uso da transferência de responsabilidade.

Ele explica que o problema não ocorre nos estabelecimentos em que é usado o terminal Point Of Sale (POS), que já estão, na sua maioria, adaptados a ler os cartões com chip. O centro da questão está nos terminais de Transferência Eletrônica de Fundos (TEF) ou PDV, que existem nos grandes supermercados principalmente. Atualmente, 45% da rede de TEF credenciada pela Visa já está preparada para ler o chip.

Jatobá acredita que o acordo para a substituição do sistema dos grandes supermercados deve sair até o fim de 2006. Com essa adesão, cerca de 80% da rede de TEF estará adaptada à tecnologia do chip. “Feito isso, os outros 20% vêm em seguida”, garante o diretor de produtos da Visa.

A Redecard informa que a atualização dos terminais já está adiantada nas grandes redes e avançando na implantação naquelas de menor porte.

Usuários

Do lado dos usuários de cartões com chip, Jatobá acredita que a migração seja um caminho sem volta. “Temos cerca de dez grandes bancos fazendo a migração atualmente”, afirmou ontem o executivo durante palestra no seminário Bancos de Varejo, realizado em São Paulo, e organizado pelo Institute for International Research (IIR).

Um dos grandes entraves para a substituição total e rápida dos plásticos normais pelos que possuem o chip é o custo alto da nova tecnologia. Neste mês, entretanto, a Visa fechou contrato com a ST, fornecedora de cartões, que permitiu baixar o preço por plástico novo de US$ 2,80 por US$ 0,99. Essa negociação deve acelerar o processo de migração.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), MasterCard e Visa já emitiram mais de 5,3 milhões de plásticos com a tecnologia de chip.


Fonte: jornal DCI - edição de 27/10/2005 - Fernando Torres