União
com operadoras de cartão é tendência
Pouco
a pouco, redes de varejo de médio porte começam a
se entregar ao poder do co-branded, cartão de crédito
com a marca da loja associado a uma operadora tradicional. Gigantes
do varejo como Ponto Frio, C&A e Leroy Merlin já aderiram.
Consultores acreditam que tendência é que os co-branded
conquistem boa parcela dos cartões próprios dos varejistas,
cada vez mais usado para oferecer crédito ao consumidor.
O Ponto Frio lançou o seu cartão de crédito
com o Unibanco e a Mastercard, depois de ter por quase 60 anos como
principais formas de financiamento o carnê e cheque, que correspondem
ainda a mais da metade das vendas nas 350 lojas espalhadas por 10
estados. O Espírito Santo foi usado como piloto do dinheiro
de plástico da rede e a novidade chegou recentemente ao mercado
paulista. No início de 2006, os clientes do Rio de Janeiro
e de outras cidades terão acesso a esse tipo de crédito.
Das gigantes do mercado de varejo, a C&A foi uma das primeiras
a colocar bandeira no cartão private label, próprio
da loja, que existe há 20 anos. O Carrefour, com 5,1 milhões
de cartões, que respondem por 38% das vendas da rede de hipemercados,
já deu sinais que no próximo ano poderá aderir
a um co-branded.
Tendência de mercado O diretor-executivo do PontoCred, braço
financeiro do Ponto Frio, Marcos Rocha, afirma que o grupo decidiu
adotar o co-branded porque é uma tendência de mercado
e que a empresa tem a proposta de atender a todo o estrato social.
"O diferencial do cartão com bandeira é ter um
limite de crédito pré-aprovado para o cliente usar
na rede e outro a ser utilizado em qualquer estabelecimento",
afirma. O cartão do Ponto Frio é oferecido com anuidade
gratuita aos clientes.
Para o sócio-diretor da Partner Consultoria, Álvaro
Musa, a tendência é que os co-branded conquistem uma
boa parcela de private labels dos varejistas. Ele afirma que o cartão
próprio não é feito para dar lucro, mas melhorar
as vendas.
Há sete anos, os private labels somavam 32 milhões
de unidades e hoje ultrapassam os 81 milhões. Em faturamento,
no entanto, os cartões de bandeiras apresentam receita bem
superior. No ano passado, eles foram responsáveis por R$
100 bilhões em faturamento, enquanto que os cartões
de loja somaram R$ 17,1 bilhões.
A francesa Leroy Merlin, especializada em vendas de material de
construção, há sete anos presente no Brasil,
colocou no mercado, além de um private label, o cartão
com opções das bandeiras MasterCard e Visa. De acordo
com a Leroy, que atua em São Paulo e no Rio de Janeiro, e
inaugura neste mês a primeira unidade em Brasília,
o cartão da empresa possui também anuidade gratuita,
desde que o cliente respeite a regra de realizar, em qualquer estabelecimento
comercial, pelo menos uma compra a cada mês.
A gerente de marketing e comunicação da Leroy, Carla
Ramos, explica que a empresa tem uma política de observar
o consumidor por meio de pesquisas de mercado e que, no caso da
construção, o acesso ao crédito é muito
importante. Para a executiva, as classes A e B apreciam condições
que facilitem as vendas. "O importante não é
o aumento das vendas, mas a fidelização", destaca.
O cartão de marca própria Leroy Merlin é para
compras efetuadas apenas nas lojas da rede. Assim como o cartão
de crédito, a anuidade do titular e do adicional não
tem custo. Com ele, o cliente possui limite exclusivo de compra
parcelada. Nos dois casos, a primeira compra é feita sem
a necessidade de o cliente ter a versão dos cartões
em plástico. A renda mínima para obter um private
label é de R$ 150.
Saara terá cartão Formada em 1962 pelos comerciantes
de uma das mais antigas e dinâmicas áreas comerciais
do Rio, a Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega
(Saara) lança em novembro o cartão Visa com sua marca
para conquistar também a fidelidade do cliente. O objetivo
do grupo de lojistas é concorrer em pé de igualdade
com os grandes em termos de parcelamento. As 640 lojas da Saara,
que lançam o co-branded também em parceria com a Caixa
Econômica Federal (CEF), pretendem dar descontos de até
50% para os clientes com a bandeira do grupo comercial
Fonte: Jornal do Commercio Brasil - edição de 26/10/2005 - Pierre
Baldez