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Leroy Merlin faz parceria com Unibanco e lança cartão

A rede francesa Leroy Merlin associou-se com o Unibanco para abocanhar aquele que se tornou o alvo preferido das empresas: o público de baixa renda. Para atendê-lo, o banco e a varejista de construção acabam de lançar um cartão de crédito. Com uma clientela focada nas classes A e B - que concentram 80% das vendas da rede - o home center vai usar o cartão como arma para ganhar mercado.

Num setor onde o financiamento é vital e que sofre com mais velocidade à retração do consumo do que o varejo convencional, oferecer diferenciais na forma de pagamento é tão importante quanto uma forte política de preços baixos. "São compras grandes e planejadas que exigem condições de parcelamento", afirma Carla Ramos, gerente de marketing e comunicação da Leroy Merlin.

Além de um cartão de marca própria, como todas as redes de varejo possuem, a companhia também estampou seu nome em um cartão de crédito internacional com as bandeiras Visa e Mastercard. Sem anuidade para o cartão principal e o adicional - a única condição é fazer ao menos uma compra por mês de qualquer valor e em qualquer estabelecimento - o objetivo da Leroy Merlin é consolidar a marca.

"Aqui, ele terá vantagens de descontos e formas de pagamentos, mas pode usar o cartão onde quiser para facilitar a sua vida e isso gera um valor muito forte para a marca", afirma Carla. "Uma das principais dificuldades do cartão de crédito é ter uma base ativa", acrescenta a executiva, que diz ter negociado bastante com a operadora até conseguir o que julgou ser o melhor pacote.

O primeiro cartão de uma varejista de material de construção foi lançado pela C&C em parceria com o banco Alfa, ambos do empresário Aloysio Faria.

O grande apelo do produto da Leroy Merlin está na renda mínima exigida. No caso do cartão de crédito, é necessária uma renda mínima de R$ 300. Já no cartão de uso restrito à rede, serão exigidos apenas R$ 150. "Queríamos ter um produto democrático, que fosse acessível ao grande público", diz.

O principal concorrente dos grandes home centers na disputa pelo público de baixa renda são as pequenas lojas de bairro, os depósitos. "Essas pessoas precisam saber que elas têm condições de comprar em uma loja como a nossa", diz. No curto prazo, a companhia estima que haja uma migração de outras formas de financiamento para os novos cartões.

A empresa também trabalha com CDC tradicional - que está concentrado nas mãos da Fininvest, a financeira do Unibanco - e antes era divido entre Panamericano, Losango e Cetelem. Embora não revele sua expectativa, no médio prazo, a rede francesa espera que os cartões revertam em aumento dos negócios. As vendas de janeiro a setembro deste ano estão 20% acima do ano passado, segundo Carla.

As empresas estrangeiras apostaram que o déficit habitacional brasileiro faria do varejo da construção um negócio promissor no Brasil. Não foi o que aconteceu. Aqui, ao contrário da Europa e Estados Unidos, o conceito do "faça você mesmo" não pegou. A mão-de-obra no Brasil é muito barata e para alavancar o negócio foi preciso criar diferenciais, como o serviço de consultorias nas lojas e os financiamentos. A C&C comprou a também francesa Castorama.


Fonte: jornal Valor Econômico - edição de 10/10/2005 - Daniela D'Ambrosio