Financeira
da Colombo quer carteira de R$ 500 milhões
A Credifar, financeira própria da Lojas Colombo, de Farroupilha
(RS), está diversificando as operações para
chegar ao fim deste ano com uma carteira de R$ 500 milhões,
um volume quase cinco vezes maior do que os R$ 105 milhões
registrados em dezembro de 2004. A empresa começou a oferecer
empréstimos pessoais para clientes e não clientes
da rede especializada em eletroeletrônicos e móveis,
está se preparando para lançar uma linha de crédito
para a compra de veículos e vai absorver o financiamento
integral das vendas da varejista, uma das maiores do país
nos segmentos em que atua.
Na outra ponta, a Credifar está trabalhando para aumentar
de R$ 74 milhões para R$ 160 milhões a captação
de recursos com o "AplicBem", uma letra de câmbio
que paga um rendimento bruto equivalente ao dobro da caderneta de
poupança, disse o diretor Edeni Malta. A empresa também
lançará no dia 20 um fundo de recebíveis de
R$ 160 milhões estruturado pelo Bradesco e fará um
aumento de capital para complementar o "funding" necessário
às operações de financiamento planejadas.
Dos R$ 500 milhões em créditos previstos para o fim
de 2005, 80% deverão ser destinados ao financiamento das
vendas da Colombo, em contratos médios de R$ 450. Hoje a
própria rede banca a maior parte da carteira de clientes
superior a R$ 350 milhões e a migração das
operações para a financeira eliminará o recolhimento
de ICMS, PIS e Cofins sobre os juros, que variam de zero a 5,9%
ao mês. Os R$ 100 milhões restantes serão correspondentes
aos créditos pessoais e financiamento de veículos.
Conforme Malta, o crédito pessoal já estará
disponível nas 170 lojas da Colombo no Rio Grande do Sul
nesta semana e até o fim de fevereiro será levado
para as 200 restantes em Santa Catarina, Paraná, São
Paulo e Minas Gerais. A linha servirá ainda para fidelizar
e ampliar a carteira de 2 milhões de clientes ativos da rede
e o objetivo é firmar convênios com empresas para oferecer
crédito consignado em folha de pagamento. Neste caso, as
taxas de juros irão variar de 2,5% a 3% ao mês, chegando
a 4% a 4,9% nos empréstimos individuais para os clientes
da Colombo e um pouco acima disso para os não clientes, disse
o diretor.
No lado das captações, o fundo de recebíveis
será lastreado por ativos tanto da Credifar quanto da Colombo
e obteve rating "AAA" da Standard & Poor´s,
explicou Malta. O próprio Bradesco absorverá parte
da oferta e a linha terá prazo de três anos para pagamento,
com amortizações mensais a partir do décimo-oitavo
mês. A taxa de juro será definida ao longo desta semana,
explicou o executivo. A empresa também está pensando
em emitir cédulas de crédito voltadas a investidores
corporativos, um modelo de título negociável criado
em 1999 e regulamentado ano passado.
Conforme Malta, a Credifar também pretende mais que dobrar
as captações com o "AplicBem" a partir de
uma oferta mais acentuada do produto nas lojas da rede Colombo e
da contratação de consultores de investimentos, originários
do sistema bancário, encarregados de buscar investidores
individuais e institucionais. A aplicação mínima
na modalidade é de R$ 100, mas o valor médio das operações
chega a R$ 700, calcula o executivo.
Fonte: jornal Valor Econômico - edição de 01/10/2005 -
Sérgio Bueno