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Começa no Brasil a era de pagamento pelo celular

Foram dados no Brasil os primeiros passos do mercado de pagamentos pelo celular, mundialmente denominado "mobile banking". "Os chips que permitem aos donos de telefones celulares a conexão direta com sua conta corrente, de modo a efetuar pagamentos como se estivessem utilizando um cartão de débito ou crédito, estão sendo produzidos em larga escala no País", afirmou Marcio Lambert, diretor-executivo da GD Burti. Joint venture entre o grupo alemão Giesecke & Devrient e a brasileira Burti, a empresa figura entre os fornecedores de chips capazes de trazer a movimentação bancária para os celulares.A Claro, do grupo mexicano América Móvil, prepara para o fim do ano o lançamento do projeto a 16 milhões de usuários.

A BrT GSM, atuante no Centro-Oeste e Sul, distribuiu mais de um milhão de simcards especiais.

Pela boa receptividade encontrada no exterior, existente há 8 anos, esse mercado tem tudo para decolar no Brasil, pois aqui as transações bancárias usufruem de automação superior à média mundial.

Além de bancos e telefônicas, os cartões inteligentes serão usados por sistemas de saúde. A GD Burti aposta no desenvolvimento do "mobile banking" e nele tem investido os esforços dos últimos meses. A parte mais complexa do processo foi, sem dúvida, demonstrar aos bancos, que já figuravam em sua carteira de clientes de cartões de débito e crédito, que a utilização dos celulares como terminais para transações financeiras oferecia segurança idêntica à das máquinas de atendimento automático.

"Aproximar bancos e teles celulares foi a tarefa mais difícil", afirmou Marcio Lambert, diretor executivo da GD Burti. "Foi um namoro que durou seis meses", acrescentou o gerente técnico Gustavo Ullmann. Mas o primeiro contrato (com o Banco do Brasil) foi bem-sucedido e os demais bancos correram para seguir o pioneiro, totalizando dez instituições financeiras atualmente em condições de fornecer seu portal de serviços pelo celular de seus clientes.

A dificuldade principal estava centrada no altíssimo temor pelas fraudes. Para criar a confiabilidade necessária para o bom funcionamento do "mobile banking", a GD utilizou toda a expertise do grupo alemão ao qual pertence, nascido em 1852 na cidade de Leipzig, e com atuação na produção de papéis de segurança, como títulos fiduciários e papel moeda, além de cartões inteligentes. "O fato de a GD ter sido responsável por 58% dos euros distribuídos na época do lançamento da moeda comum européia, em 2002, demonstra o quanto estamos preparados para atuar em segmento sensível como o das transações bancárias", afirmou Manfredo Dreyer, diretor de telecomunicações. "Somos todos neuróticos por segurança", resumiu Lambert.

Conceito Cebola

A fábrica da GD Burti está instalada em Itaquaquecetuba (SP), junto com a gráfica Burti, acionista que detém 5% do capital da subsidiária local. Com capacidade para produzir 4,5 milhões de cartões inteligentes por mês, entre os telefônicos (GSM) e os bancários, a GD mantém um sistema de segurança configurado como uma cebola, em que as camadas se sobrepõem e no centro preservado está situado o banco de dados dos clientes, quer sejam bancos ou operadoras celulares, contendo as informações criptografadas. Só o usuário tem acesso ao seu conteúdo, depois de digitar a senha. Ele tem três chances de erro antes de passar ao segundo estágio (PIN2), onde pode errar dez vezes. Na 11ª tentativa com erro, perde o chip.

Cerimonial de chaves

Para selar a parceria, operadora celular e banco passam pelo cerimonial das chaves.

A chave-master fica guardada no banco - consistindo em uma placa criptografada de hardware como se fosse um cofre. Dessa chave é derivada uma segunda chave, e esta está gravada em cada simcard, igualmente criptografados.

Para que ninguém detenha a senha que abre os dados do cliente, a chave é dividida em quatro partes e distribuída para quatro funcionários do banco. Somente a soma das quatro partes recompõe a senha.

"O objetivo é nem a GD nem o banco terem a informação completa, que só pode ser desvendada no cofre da instituição", afirmou o diretor industrial Renato Laginestra.

As demais camadas da "cebola" representam, no ambiente da fábrica, as cancelas entre as seções da empresa, pelas quais os funcionários passam com seus crachás e são devidamente filmados e pesados para comparação na saída.

A mesma segurança pode ser sentida na entrada de materiais, com portões que se fecham antes de um segundo se abrir, aguardam a entrega de materiais e se fecham novamente, antes que o material seja recolhido. Para maior transparência o sistema é objeto de auditoria residente por parte do cliente.A potencialidade do mercado de simcard leva a GD Burti a projetar crescimento expressivo nas vendas deste ano.

No ano passado, a subsidiária local do grupo alemão e da Burti faturou R$ 110 milhões, valor 152% superior ao do ano anterior, de R$ 42 milhões. Neste ano, há grande expectativa de vendas de novos simcard GSM para os clientes da Claro que quiserem acessar os serviços bancários.

Dreyer explica que, mesmo o usuário que possui um celular vai precisar de novo simcard para acessar as aplicações e funcionalidades que a operadora acrescentar ao portal. E a GD é focada nos chips sofisticados, ainda que isto signifique recusar pedidos dos cartões magnéticos comuns.

Bradesco foi o pioneiro

Com o Bradesco, primeiro cliente da empresa no País e primeiro banco a terceirizar integralmente a produção de seus cartões magnéticos e inteligentes, a GD Burti mantém exclusividade na integração dos cartões inteligentes. Mas a produção dos plásticos propriamente dita é dividida com outros fornecedores brasileiros.

"O contrato de exclusividade original vem sendo estendido ano a ano", disse Lambert referindo-se à incorporação da inteligência aos plásticos.


Fonte: jornal Gazeta Mercantil - edição de 01/09/2005 - Thaís Costa