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Baixa renda atrai o mercado de cartões e seguro

O segmento de baixa renda tem atraído a atenção das administradoras de seguros, cartões de crédito, varejo e outras indústrias. Produtos personalizados a este nicho são cada vez mais comuns. A MasteCard, por exemplo, já tem 50% dos seus cartões posicionados nas classes mais baixas, um crescimento de 240% neste primeiro semestre de 2005 quando comparado ao mesmo período do ano passado. Murilo Barbosa, vice-presidente de produtos da empresa, diz que este campo no Brasil tem muito a ser explorado. “Hoje, 87% da população brasileira está incluída nesta segmentação, respondendo por 52% do consumo privado brasileiro”. Ele comenta que formatar produtos para este público específico exige trabalho de infraestrutura e educação. "A inovação dos meios de pagamento precisa comtemplar esta questão cultural das modalidades eletrônicas", ressalta.

Os cartões Private Labels, neste sentido, cumprem papel fundamental. Os plásticos das lojas introduzem ao mercado de pagamentos eletrônicos uma população não bancarizada e que tem neste produto sua primeira experiência nesta área. Outra característica é a disseminação em regiões onde a cultura do cartão convencional ainda não está totalmente pronta.

A Cardif, seguradora com atuação global em 30 países, também aposta no setor de baixa renda para potencializar o crescimento dos seguros no País. Ricardo Braga, diretor-presidente, explica que as classes C, D e E são grandes mercados a serem explorados com diversificados produtos. “As financeiras já estão voltadas a este negócio e os correspondentes bancários são outro canal importante neste setor, exercendo papel de distribuidor de crédito e serviços”, comenta.

O executivo explica que o varejo oferece vantagens ainda mais motivadoras, já que os pontos-de-vendas atraem públicos diferenciados. “As parcerias com o varejo no ramo de seguros são estratégicas pela capilaridade que as lojas oferecem. É um bom negócio para as seguradoras, pois atingem públicos específicos e para o próprio varejista que tem nestes produtos nova fonte de receita”, destaca. No segmento popular, os produtos mais vendidos no varejo são proteção financeira e pessoal, garantia estendida e capitalização.

Um levantamento da Cardif apontou que, em termos de capilaridade, as redes varejistas superam em duas vezes os números das agências bancárias em todo o Brasil. Mas, os produtos de seguros são vantajosos não só para os varejistas como também para os bancos. “Os balanços semestrais das instituições financeiras mostram que o mercado de seguros forma entre 10% e 30% do lucro das empresas”, conclui.

Os dois executivos participaram hoje (31/08) do Seminário CardNews "Negócios em Transferências e Pagamentos Eletrônicos para o Mercado Financeiro", realizado em São Paulo.


Fonte: portal Partner Report - edição de 01/09/2005 - Heloisa Valente