Médios
varejistas investem em automação comercial
O
mercado de serviços e softwares para automação
comercial deve apresentar um crescimento da ordem de 20% este ano,
e movimentar cerca de R$ 480 milhões no Brasil.
O crescimento é impulsionado principalmente pela demanda
dos médios varejistas, que têm visto na adoção
dessas ferramentas uma forma de melhorar a gestão de seus
negócios e aumentar seus lucros.
“Os empresários começaram a investir nesses
sistemas para cumprir as exigências legais de disponibilizar
ao Fisco informações sobre compra e venda de produtos,
e até controlar os estoques em alguns estados, pelo Sistema
Integrado de Informações sobre Operações
Interestaduais com Mercadorias e Serviços (Sintegra). Mas
hoje eles começam a ver que elas também podem ajudar
na melhoria dos processos de trabalho, com gerenciamento de contas
e mercadorias”, explica Edílson Paterno, membro do
Conselho Temático de Software Houses da Associação
dos Fabricantes e revendedores de Equipamentos para Automação
Comercial (Afrac).
Também diretor da Totall , empresa especializada no desenvolvimento
de sistemas no segmento de automação comercial, Paterno
comenta que no ano passado, das vendas realizadas pela empresa para
médios comerciantes, cerca de 85% representavam migração
de uma solução básica para uma ferramenta com
melhores capacidades gerenciais. A Totall faturou R$ 1,3 milhão
em 2004. Para esse ano, a previsão é de um crescimento
de pelo menos 30%.
Segundo Ladimir Carvalho, diretor executivo da Alterdata , os investimentos
não são muito altos. “Com cerca de R$ 1 mil
o empresário adquire uma solução”, diz.
Apesar disso, Carvalho acredita que nos pequenos segmentos do comércio
— com faturamento de até R$ 200 mil mensais —
a resistência a esse tipo de ferramenta é grande, já
que os empresários “acham que podem administrar tudo
sozinhos”.
Focada em empresas de médio e pequeno porte, a Alterdata
apresentou no ano passado um crescimento de 140% na demanda de seu
software para automação comercial. Com isso, sua receita
chegou a R$ 15 milhões, e a perspectiva é crescer
pelo menos 35% em 2005. Sua equipe passou de 150 para 240 funcionários
no último ano.
“O médio varejista precisa melhorar sua gestão
para reduzir suas perdas e melhorar suas margens de receita”,
destaca Gabriel Baster, gerente de marketing da Gemco . Falando
sobre as pressões nas margens, ele comenta as fusões
no setor, que tornam as grandes redes presentes em todo lugar, e
possibilita o atendimento ao apelo do consumidor que tem uma renda
baixa, mas quer consumir.
Especializada em soluções para o comércio,
a Gemco, projeta um crescimento da ordem de 40% para esse ano, atingindo
um faturamento de R$ 22,5 milhões. Só nos primeiros
seis meses do ano, a empresa conseguiu 30 novos clientes na Região
Centro-Oeste e em São Paulo.
Santa Catarina
A catarinense Logocenter , aposta que o crescimento das vendas e
a procura por sistemas de gestão no segmento comercial irá
aumentar em 50% até final de 2006. A empresa é especializada
no desenvolvimento de produtos Eletronic Resources Planning (ERP)
e Customer Relationship Management (CRM), principalmente para o
setor industrial e, desde 2004, também foca no mercado varejista
e comercial. A primeira conta da Logocenter foi a GR Eletro , varejista
de móveis e eletrodomésticos, que integrou todas as
suas áreas padronizando ainda um grande número de
sistemas complementares.
O diretor comercial da Logocenter, Álvaro Junckes, comenta
que o mercado que se abre é significativo pelo fato de poucas
empresas atuarem integrando todos os processos que o comércio
precisa de uma só vez. Do faturamento anual de R$ 42 milhões
em 2004, os sistemas de ERP respondem por R$ 33,6 milhões.
E, desse montante, as vendas de gestão comercial crescem
rapidamente, atingindo em um ano cerca de 5%.
O executivo ressalta que a busca de custos mais baixos na integração
de plataformas e a mudança de tecnologia internas estão
entre os principais pontos que motivam as redes varejistas na busca
por fornecedores de sistemas de gestão mais sofisticados.
Fonte: jornal DCI - edição de 22/08/2005 - Gustavo Brigatto e
Henrique Puccini