Associação
quer proibir desconto em folha de empréstimos
Milhares
de capixabas podem deixar de ter descontado diretamente do salário
o valor da parcela do empréstimo feito em bancos. Isso porque
a Associação Nacional dos Consumidores de Crédito
(Andec) está elaborando uma ação coletiva para
suspender de imediato, em bancos de todo o país, o desconto
do financiamento consignado feito em folha de pagamento ou em conta
corrente.
Na 34ª Vara Cível de Belho Horizonte já tramitam
duas ações coletivas, com o mesmo objetivo, contra
o Banco do Brasil e Itaú. O pedido foi feito liminarmente,
no dia 4, e a decisão pode sair ainda nesta semana. Se a
Justiça aceitar o pedido da Andec, a decisão valerá
para os atuais contratos e os que serão assinados com estas
duas instituições bancárias.
Nestas ações coletivas, a advogada da Andec, Ingrid
Carvalho Salim, alega que o desconto das parcelas dos empréstimos
no salário é inconstitucional. Ela frisou que em Belo
Horizonte existem trabalhadores com situações "complicadíssimas"
por causa do crédito consignado.
Conta zerada. "Hoje milhares de pessoas pegam o contracheque
e não têm nada para receber. Esta retenção
é inconstitucional, conforme o artigo 7º, inciso X,
da Constituição Federal. Toda a legislação
pátria caminha no sentido de proteger o recebimento do salário",
enfatizou.
Ela pondera, entretanto, que a ação não visa
isentar trabalhadores ou aposentados o pagamento do financiamento.
O objetivo, justifica, é obrigar os bancos a aplicarem outra
forma de cobrança das parcelas do crédito consignado.
"O consumidor pode pagar da forma que o banco determinar. Que
seja por meio de boleto bancário, carnê ou duplicada,
por exemplo. Usando uma dessas modalidades, a pessoa pode conseguir
dinheiro para efetuar o pagamento", assinalou Ingrid.
Outras ações. Segundo Ingrid, a situação
de trabalhadores e aposentados de Minas Gerais é igual a
vários estados do país. Por isso, a associação
quer ajuizar outras ações coletivas.
"Em Belo Horizonte, as ações são contra
o Banco do Brasil e o Itaú, porque são as instituições
com maior índice de reclamações. Foram 50 por
semana. Mas temos a intenção de ajuizar mais ações
contra todos os bancos do país, na próxima semana.
A fundamentação será a mesma" salientou
Ingrid.
A advogada, destacou, que vai entrar em um recurso no Tribunal de
Justiça de Minas Gerais, caso as ações coletivas
contra o Banco do Brasil e Itaú sejam indeferidas.
"Milhares de consumidores estão nessa situação,
com a subsistência familiar comprometida. Os bancos estão
ferindo o Estatuto do Idoso e o Código de Defesa do Consumidor",
criticou.
Entre em contato com a Andec
A Associação Nacional dos Consumidores de Crédito
(Andec) está recebendo informações de trabalhadores
e aposentados, de todo o país, que têm crédito
consignado, mas que estão insatisfeitos com o desconto da
parcela do empréstimo no salário. Veja o que é
preciso fazer para enviar informações à associação:
• Internet. Um forma de contato com a Andec é pelo
e-mail www.andec.org.br. Neste endereço eletrônico,
entra no link cadastro, onde é possível enviar as
informações sobre o contrato firmado com o banco que
forneceu o crédito consignado.
• Telefone. Outra maneira é ligar para o telefone 0300-3133112,
e fornecer os dados.
• Documentos. Os documentos necessários para fundamentar
a ação coletiva são cópia do contrato
de empréstimo cópia da folha de pagamento, no caso
de desconto em folha extrato bancário, para provar o desconto
da parcela em conta corrente
• Ação coletiva. Os dados servirão para
fundamentar a ação coletiva que a Andec – entidade
que faz parte do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor –
vai formular contra todos os banco do país, na semana que
vem.
• Nominal. A ação coletiva não é
nominal. Assim, atinge a todos os trabalhadores e empregados beneficiados
pelo crédito consignado.
• União. Segundo a advogada da Andec, Ingrid Salim,
quanto mais reclamações forem enviadas para a entidade
melhor será para exemplificar casos de consumidores que se
sentem prejudicados com o desconto da parcela do empréstimo
em folha ou em conta corrente.
Saiba mais
• R$ 5 bilhões foi quanto o crédito consignado
para aposentados e pensionistas do INSS colocou em circulação
desde que foi autorizado, há um ano.
• 40% dos empréstimos foram feitos a pessoas que recebem
benefícios no valor de um salário mínimo.
• 38 mil aposentados, só aqui no Estado, já
pegaram emprestados cerca de R$ 100 milhões.
• 23 instituições estão habilitadas pela
Previdência para essa modalidade de empréstimo atualmente
e outras 20 estão em processo de credenciamento.
• 1.005 atendimentos foram registrados até o mês
de março pela Ouvidoria-Geral da Previdência Social.
Os atendimentos vão desde solicitação de informações
a casos de pessoas que não pediram empréstimo e tiveram
desconto no contracheque.
Fonte: jornal A Gazeta (ES) - edição de 12/08/2005 - Lúcia Garcia