Lojas
adaptam-se à era dos tíquetes eletrônicos
O
tíquete-refeição de papel já era. Com
a implantação do sistema eletrônico, muitas
companhias adotaram o cartão-alimentação e
os restaurantes da cidade já começam a fazer a migração
do papel para a máquina. Segundo o diretor de produtos da
Ticket Restaurante (TR), Alaor Aguirre, 30% das empresas no País
já usam o cartão-alimentação da TR para
seus funcionários e 80% dos restaurantes credenciados da
marca já trabalham com as máquinas.
Os donos e gerentes de lojas de alimentação do Rio
de Janeiro aprovam o uso dos cartões e destacam a facilidade
do serviço, mas reclamam das taxas mais altas cobradas para
usar o serviço. As empresas de alimentação
evitam divulgar as taxas, mas comerciantes revelam que algumas chegam
a cobrar 10% do valor da compra.
Spoleto Para o presidente do Spoleto, Eduardo Ourívio, o
maior beneficiário do tíquete eletrônico é
o cliente que come freqüentemente em restaurantes. "O
controle do papel era difícil. Normalmente, quando o valor
do tíquete ultrapassava o da compra, muitos locais davam
um vale-troco. Agora, o cartão debita o valor certo e nada
mais. Não há necessidade de troco", frisa.
A migração do papel para o cartão na rede Spoleto
foi tranquila. "Sempre trabalhamos com cartões e nossos
funcionários já estavam treinados. Não houve
problema algum de adaptação", afirma Ourívio.
A única reclamação do presidente da marca é
a taxa cobrada por algumas empresas de alimentação,
que, segundo ele, é muito acima da aceitável. "Estamos
trabalhando com quase todos cartões de refeição,
exceto o SodexhoPass que está com uma taxa mais alta. Queremos
fazer um acordo, porque também nos interessa ter esse cartão",
ressalta. A assessoria da SodexhoPass foi procurada pela reportagem
do Jornal do Commercio, mas não deu retorno.
Ticket Restaurante O diretor de produtos da Ticket Restaurante,
Alaor Aguirre, garante que as taxas, ou seja, comissões de
serviço pagas pelo estabelecimento devido ao volume de usuários
que o cartão oferece a eles, não estão acima
das pagas pelo tíquete de papel. "Não houve uma
mudança de valores nessa passagem de papel para cartão.
Se fosse assim não teríamos 80% dos nossos restaurantes
credenciados já usando tíquete-cartão",
comenta, sem querer revelar a taxa.
Para Aguirre, a troca do papel para o cartão só trouxe
vantagens para todos, desde o cliente usuário até
a própria empresa de alimentação. "O usuário
não tem mais aquele problema de perder o cartão. Caso
isso aconteça, solicita e ganha outro com o mesmo crédito.
O restaurante não precisa ter aquele mesmo controle do papel
e seu crédito já fica garantido na hora da compra.
A empresa não gasta mais tempo com a logística para
a distribuição de papéis e carnês para
seus funcionários. E nós só ganhamos com essa
tecnologia, que é muito mais fácil de lidar",
explica. Outro problema que o cartão evita, segundo Aguirre,
é o uso indevido do benefício. "Não há
mais a possibilidade de se passar o tíquete adiante",
conclui.
A gerente do Coffee Book da livraria Saraiva do Shopping Tijuca,
Ana Paula Levindo, declara que o sistema eletrônico ainda
não tem sido muito procurado por seus clientes. "Ainda
recebemos muitas pessoas com tíquete de papel e temos que
aceitar esse tipo de pagamento para não perder clientes",
revela. Mas, para Ana Paula, a aceitação do cartão
será mais rápida que o previsto e ainda vai gerar
um aumento considerável no consumo.
Segundo o consultor Fernando Gaspar, um restaurante que não
aceite o tíquete eletrônico pode estar perdendo clientes.
"As empresas estão aderindo ao cartão e o restaurante
que não tiver essas máquinas e nem for credenciado
pode perder toda essa movimentação de pessoas na hora
das refeições", conta.
Fonte: Jornal do Commercio do Rio de Janeiro - edição de 10/08/2005
- Daniella Bottino