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Aumenta rapidamente o uso de tecnologia sem fio

A tecnologia sem fio será o principal meio de acesso às redes no futuro, prevê o diretor de wireless da fabricante americana 3Com, Rohit Mehra. Segundo o executivo, esse é o segmento que cresce mais rápido na indústria de redes e dentro da companhia no mundo. "No interior dos prédios das empresas, a tecnologia se desenvolve rapidamente", disse.

No Brasil não é diferente. Grandes companhias começam a investir em soluções de acesso remoto a dados corporativos para obter ganhos de produtividade e criar novos serviços. E, neste ano, setores que pouco exploravam a mobilidade têm percebido oportunidades na tecnologia, segundo o presidente da Spring Wireless, Marcelo Condé. "Antes, todos os negócios vinham de empresas interessadas na automação da equipe de vendas e prestação de serviços", afirmou o executivo da fornecedora nacional de soluções móveis.

Condé espera novas fontes de receita para o setor: o uso de mobilidade nos setores financeiro e farmacêutico e a demanda por empresas com serviços de campo. Para a 3Com, a demanda tem crescido em áreas como educação e saúde.

Vendas da 3Com dobram a cada trimestre e Spring amplia clientela de 35 para 80 este ano. Hoje, os maiores clientes da divisão wireless da 3Com são instituições de ensino como a Valdasto State University e a Newport School District, além de hospitais. Na América Latina, atende à University of Yucatán (México), Universidad de la Savana (Colômbia), Instituto do Coração (Incor) e Embrapa (Brasil).

A 3Com vem dobrando as vendas mundiais de equipamentos wireless a cada trimestre, desde o último lançamento para a área em outubro de 2004. Para 2005, a projeção é de crescimento global de até 70%. "Vamos crescer mais rápido que o mercado", disse o diretor de wireless da 3Com, Rohit Mehra.

A fabricante está entre os cinco principais fornecedores de redes wireless, com uma fatia de 10% a 15% do mercado mundial. Para os próximos dois anos, no entanto, a 3Com, que tem entre os concorrentes a Cisco e Symbol, busca as três primeiras posições no setor. "Até o final de 2005, devemos manter os 15%. Porém, a longo prazo, a meta é ultrapassar 20% de participação", disse.

Na América Latina, a expectativa também é de expansão. A 3Com quer crescimento de 20% em vendas de wireless no Brasil e nos outros países da região, onde a companhia fechou 2004 com 15% de participação de mercado. "Na América do Sul, onde os custos de telecomunicações são altos, é mais barato conectar dois prédios com tecnologia wireless", comentou o diretor.A indústria de equipamentos para redes sem fio deve crescer entre 40% e 50% nos próximos quatro anos, segundo Mehra. "As outras áreas no mercado de redes estão mais maduras. Agora temos padrões que permitem a interoperabilidade entre os equipamentos sem fio", disse o diretor, acrescentando que a barreira da falta de segurança já foi superada.

Os resultados da brasileira Spring confirmam a tendência de crescimento do mercado wireless no País. A empresa começou 2005 com 35 clientes e atingiu 80, ao fim do primeiro semestre. Entre as novas contas estão a Eletropaulo, Gillete, Visanet, Suzano Papel e Celulose, Rede Globo, Grupo Pão de Açúcar e Nívea.

A Spring desenvolve para empresas software customizado que roda em aparelhos móveis e fazem a integração com os sistemas disponíveis. Em 2004, registrou faturamento de US$ 15 milhões e projetava resultado de US$ 23 milhões neste ano. Com a superação das expectativas, a meta anual foi revista para US$ 30 milhões.

A Spring investiu cerca de US$ 3 milhões para abrir subsidiárias no Chile e em Portugal no ano passado. Até o fim do ano, vai chegar à Argentina, México, Colômbia e Espanha. "Esperamos ter 15% da receita deste ano vindo do exterior", disse o presidente da empresa, Marcelo Condé.

O foco da Spring são as 500 maiores empresas brasileiras, que têm capacidade de realizar projetos de mobilidade customizados. Mas, com a expansão do interesse por tecnologias móveis, a fornecedora começou a perceber grande demanda por parte de empresas médias. Para atingir essa fatia, iniciou o desenvolvimento de soluções que necessitem menos customizações e possam ser vendidas como produtos, além de uma estrutura de canais. As primeiras conversas para vendas indiretas envolvem algumas parceiras na integração de projetos, como CPM, Siemens, Medidata e HP. Depois, a Spring planeja criar uma estrutura de canais bem mais regionalizada.

A Spring possui atualmente 220 funcionários e quer terminar o ano com mais 80 contratações. Cerca de 80% atuam em desenvolvimento de software e operações. A fábrica de software está localizada em São Paulo.


Fonte: jornal Gazeta Mercantil - edição de 12/08/2005 - Ana Carolina Saito e Carlos Eduardo Valim