Aloysio
Faria une varejo e seguros
O
banqueiro Aloysio Faria, como se diz popularmente, não dá
ponto sem nó. Depois de construir um império de 19
empresas, em setores que vão da hotelaria aos sorvetes finos,
o ex-dono do Banco Real tem se dedicado a explorar as chamadas sinergias
entre os vários negócios do grupo. O exemplo mais
bem acabado é o recente estreitamento dos laços entre
o conglomerado financeiro Alfa - que reúne banco, financeira
e seguradora - e a C&C Casa e Construção.
A idéia por trás da parceria é transformar
a maior rede de varejo de materiais de construção
do País em plataforma para a venda de produtos financeiros.
O primeiro experimento, com o lançamento do cartão
de crédito C&C Visa, deu bons resultados. Mais de 120
mil cartões já foram distritribuídos entre
a clientela da cadeia. Agora, é um seguro residencial que
começa a ser oferecido em algumas lojas da C&C. Desenhado
pela Alfa Seguros, o SOS Residencial reúne cobertura para
incêndio, dano elétrico ou hidráulico e assistência
para reparos domésticos. O know how para sua venda em massa
é emprestado por outra parceira, a Marsh, líder mundial
em gerenciamento de riscos e seguros. A previsão é
de que sejam vendidas até 70 mil apólices em um ano.
Gonçalves, da C&C: "O acionista participa dos pontos
chaves da estratégia da C&C"
Cartões de crédito de marca própria ou compartilhados
entre varejistas não são exatamente uma novidade.
Também já há no comércio empresas oferecendo
seguros a seus clientes, como Riachuelo e C&A. Mas, quando se
trata de Aloysio Faria, um dos empreendedores mais bem-sucedidos
do País, sempre vale a pena dar uma espiadela no modelo de
negócios. Para começar, Faria - um empresário
extremamente reservado a quem seus executivos se referem apenas
como "o acionista" - exigiu uma cotação
de prazos e taxas no mercado e certificou-se que o Banco Alfa oferecia
condições competitivas antes de entregar-lhe o negócio.
Já no caso do SOS Residencial, a Alfa Seguradora participou
do projeto desde o início. "Foi conversando com eles
que surgiu a idéia de lançar um seguro", lembra
o diretor geral da C&C, Jorge Gonçalves Filho.
As parcerias entre empresas do grupo não nascem casualmente.
A cada um ou dois meses, dependendo da agenda dos muitos executivos
envolvidos, representantes das várias companhias participam
de "reuniões de objetivo", organizadas para a troca
de experiências e possível compartilhamento de oportunidades
negócios. Exemplo: a Alfa Seguradora está desenhando
uma apólice de seguros sob medida para os hóspedes
da rede de hotéis Transamérica, que também
é controlada por Faria. A menina dos olhos da companhia de
seguros, porém, é mesmo a C&C. "O varejo
é perfeito para uma seguradora, porque é tipicamente
uma operação de massa", observa Carlos dos Santos,
diretor da Alfa. As 34 lojas da rede formam um canal de distribuição
privilegiado para apólices. "Os mais de 12 milhões
de pessoas que circulam por ano nos corredores da C&C formam
o que nós chamados de grupo de afinidade, a nossa especialidade",
confirma Luiz Freire, diretor da Marsh Affinity.
A partir destes primeiros lançamentos, podem surgir outros
produtos financeiros nas prateleiras da C&C. Financiamentos
especiais para seus clientes (com prazo maior, por exemplo) e seguros
do tipo garantia estendida (que cobrem trocas ou concertos em caso
de defeito na mercadoria comprada na rede depois de vencido o prazo
normal de garantia) estão entre os mais cotados. Parcerias
com outras instituições financeiras também
não são tabu. Ao contrário. No ramo de crédito
consignado a aposentados e pensionistas do INSS, no qual o Banco
Alfa não atua, a C&C fechou acordos operacionais com
os bancos BGN e Panamericano. Aloysio Faria, como de costume, prefere
manter distância dos holofotes e se abstém de comentar
suas novas iniciativas. Mas seu dedo está lá, na formatação
desta união entre varejo e finanças. "O acionista
participa de todos os pontos chaves da estratégia da C&C",
permite-se comentar Gonçalves Filho.
Fonte: revista Isto É Dinheiro - edição de 13/07/2005
- Alexandre Teixeira