BNB
estréia cartão de crédito para pessoas físicas
Os
produtos da família "conterrâneo" do Banco
do Nordeste do Brasil (BNB), focados na pessoa física, como
a conta especial e Crédito Direto ao consumidor (CDC), ganham
reforço em agosto, no máximo setembro, com lançamento
de Cartão de Crédito em parceria com o Banco do Brasil.
"Com isso, vamos ofertar os três produtos mais procurados
pelo segmento", diz o diretor de Negócios do BNB, Francisco
de Assis Germano Arruda.
O Cartão de Crédito Conterrâneo, que vai concorrer
com outros bancos, chega com perspectiva de fechar o ano em 20 mil
unidades. O atraso - a previsão anterior era junho - motivado
por questões técnicas, levou a revisão da meta
inicial de 50 mil cartões, estimados para este ano.
"Esse é um grande desafio, pois estamos partindo do
zero", afirma Arruda, ao observar que as estimativas sinalizam
para a possibilidade de chegar a até 100 mil cartões
no final de 2006. O resultado depende do desempenho da economia,
mas o executivo acredita na possibilidade de um salto nessa área
também. O banco quer trabalhar com pessoas físicas,
ligadas a pessoa jurídica que são clientes da instituição.
"Buscamos atendimento integral e fidelização
de clientes, pois vamos abranger tanto os empresários acionistas
da empresa como os seus funcionários", afirma o executivo,
ao ponderar que o BNB mantém o princípio de instituição
de desenvolvimento e não pretende ser um grande banco de
varejo.
O diretor de Negócios observa que o BNB vem imprimindo maior
dinamismo à contração de operações
de crédito comercial. De janeiro a junho deste ano, as contratações
na área foram da ordem de R$ 333,2 milhões, mais de
três vezes o total realizado no primeiro semestre de 2004,
que chegou a R$ 101,3 milhões. A meta da instituição
é pelo menos chegar a R$ 800 milhões, até o
final do ano. "O crédito comercial funciona como complemento
aos investimentos de longo prazo e amplia a base de negócios
do banco", observa. A estratégia de acompanhar o dia-a-dia
do cliente no capital de giro permite ao banco evitar o risco de
inadimplência e aumentar a rentabilidade.
Outra novidade do semestre inclui recursos do Fundo Constitucional
de Financiamento do Nordeste (FNE) para micro e pequenas empresas
urbanas, que começa a ser implementada neste mês, com
estratégia específica, meta por agências, apoiada
em trabalho interno, e algumas simplificações na análise
de crédito, em função do porte dos projetos
e dos valores das propostas. "O banco vem recebendo grande
quantidade de projetos de médias e grandes empresas, em especial
de agricultura e agronegócio, mas quer pulverizar as operações
do FNE", diz.
O Fundo opera com taxas de juros de 8.75% para microempresas ao
ano e bônus de adimplência de 25% para empreendimentos
no semi-árido e 15% fora dessa região. O banco vai
disponibilizar ainda operações de capital de Giro,
com recursos próprios, fazendo as duas pontas, além
da linha para formação de estoques, envolvendo parte
de recursos do banco e do FNE. "Estamos olhando um outro tipo
de cliente que estava demandando pouco, mas com potencial. Resolvemos
ser mais pró-ativos na busca de pequenos clientes",
assinala.
A meta de operações do fundo para o ano contempla
cerca de R$ 4 bilhões. Ano passado foram 3,1 bilhões.
Arruda calcula que algo em torno de R$ 200 milhões ou 20%
dos recursos estimados para o período ficariam com micros
e pequenas empresas urbanas. As contratações via FNE
cresceram 11,2%, no primeiro semestre deste ano, alcançando
R$ 1,58 bilhão, diante de R$ 1,42 bilhão de 2004.
Considerados os projetos já aprovados e ainda não
liberados da ordem de R$ 500 milhões, conforme estimou recentemente
o economista Roberto Smith, presidente BNB, instituição
responsável pela administração do FNE. "Existe
demanda por parte de projetos importantes e isso demonstra que o
Nordeste está se recuperando", afirma Arruda.
No Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)
as aplicações foram de R$ 388,5 milhões no
semestre, diante dos R$ 319,9 milhões, realizados no mesmo
período do ano passado, incremento de 21,4%. As contratações
do ano corresponderam a 196,2 mil financiamentos. No Plano Safra2004/2005
as operações somaram R$ 766,4 milhões ou 388,8
mil operações realizadas com agricultores da área
de atuação do BNB - Nordeste, Norte de Minas Gerais
e do Espírito Santo - com incremento de 38% em relação
ao anterior (2003/2004), que alcançou R$ 555 milhões.
O Crediamigo, programa de microcrédito produtivo orientado
do Banco do Nordeste registrou 276 mil empréstimos ou R$
251,9 milhões, destinados especialmente aos microempreendedores
do setor informal, evolução de 25,2% sobre o contratado
de janeiro a junho do ano passado, que atingiu R$ 201,2 milhões.Arruda
afirma que os resultados estão surpreendendo.
O BNB registrou ainda crescimento na carteira de Câmbio, com
aumento de 169% no saldo contábil das operações
de crédito, que incluem Adiantamentos sobre Contratos de
Câmbio (ACC), Adiantamentos sobre Cambiais Entregues (ACE),
Financiamentos à Importação, Garantias de Cartas
de Crédito de Importação e demais Garantias
Prestadas. De janeiro a 20 de junho deste ano, foram contratadas
139 operações, equivalentes a R$ 220,1 milhões,
pelas 31 agências que operam no setor - evolução
de 118% sobre os R$ 100,6 milhões do primeiro semestre de
2004.
Fonte: jornal Gazeta Mercantil - edição de 12/07/2005 - Adriana
Thomasi