Redlar
une 46 lojas do sul para competir com as grades
Criada
há pouco mais de um mês, a Redlar , rede de cooperação
do segmento de varejo de móveis e eletrodomésticos
do interior gaúcho, está desenvolvendo uma série
de estratégias para conseguir competir com os grandes grupos
de varejo do Rio Grande do Sul. "Formamos a rede porque com
a entrada das Casas Bahia e Magazine Luiza no estado, passamos a
ter mais estes dois competidores, além dos tradicionais,
como Lojas Colombo e Manlec , que também fizeram investimentos
e ações de marketing para se fortalecer neste novo
mercado", diz Augusto Koch, presidente da Redlar. Ele diz que
a primeira estratégia da Redlar para ganhar espaço
foi a negociação de juros mais baixos para o financiamento
do crediário das lojas. "Como somos pequenas empresas,
para vender a prazo precisamos do apoio de bancos ou financeiras,
e os juros cobrados eram muito altos, ficavam entre 8% e 10%",
explica Koch. Graças à formação da Redlar,
que integra o programa Redes de Cooperação do governo
gaúcho, foi possível negociar juros inferiores com
uma das principais financeiras gaúchas: a Portocred .
Segundo Koch, agora os lojistas participantes da rede estão
pagando juros de 3,4% ao mês para vendas financiadas em 18
meses. "Nossas taxas estão menores do que as grandes
redes e oferecemos tantas parcelas quanto eles", comemora o
empresário. Ele conta que na loja que possui, em Glorinha
(RS), esta mudança já trouxe impactos surpreendentes.
"Estou vendendo lá em dezoito vezes com a metade dos
juros que eu cobrava para as vendas, que só eram parceladas
em doze vezes. Agora, nem parece a mesma loja, em um mês as
vendas dispararam", relata.
Ele lembra que a empresa dele, bem como as demais, que possuem faturamento
mensal entre R$ 25 mil e R$ 200 mil, estavam sofrendo muito com
a concentração do mercado de móveis e eletroeletrônicos.
"Logo que as redes paulistas vieram para o Sul começaram
a vender em vinte vezes, com entrada para 90 dias, nós estávamos
sem ter como reagir", recorda Koch.
Além dos juros menores, a Redlar conseguiu isenção
de diversas taxas bancárias que viabilizam o acesso ao crédito,
além da desburocratização dos financiamentos
junto à Portocred. "Os custos financeiros são
muito pesados para as empresas, especialmente as pequenas, então
estas reduções para nós são uma excelente
notícia, que vai ajudar a impulsionar as empresas",
diz.
Outra estratégia da Redlar para sobreviver no mercado dominado
pelos grandes é a impressão de catálogos coloridos
com oferta de produtos oferecidos pelas lojas. "Antes de fazer
parte da rede, eu costumava gastar R$ 2,8 mil na impressão
de 10 mil folders, agora, como aumentamos a quantidade do pedido
para 420 mil, o mesmo número de catálogos está
me custando R$ 527", salienta Koch.
Além disso, graças ao associativismo, a rede pôde
contratar uma agência de publicidade, vai investir em ações
de marketing e na solução de carências de gestão,
como a falta de padronização dos crediários.
Comprar em conjunto, conseguindo negociar melhores preços
com os fornecedores, e vender com as mesmas estratégias é
apontado pelo dirigente como a principal vantagem da formação
da rede. "Hoje somos como uma grande empresa para o mercado,
e ao mesmo tempo cada uma mantém seus resultados individuais",
ressalta Koch.
A Redlar é formada por 36 empresários donos de 46
lojas de móveis e eletrodomésticos das regiões
metropolitanas de Porto Alegre, Vale dos Sinos, Pelotas e Vale do
Caí. O grupo é responsável pela geração
de 350 empregos diretos e 150 indiretos, e um faturamento total
em torno de R$ 2,5 milhões mensais. "Todos ganham com
a rede, os lojistas, que têm a oportunidade de vender mais,
e os consumidores, que podem comprar mais barato", enfatiza
Koch.
O Programa Redes de Cooperação é administrado
pela Secretaria do Desenvolvimento e Assuntos Internacionais do
Estado (Sedai). Hoje existem mais de 120 redes de cooperação
no Rio Grande do Sul, com 2,5 mil empresas integradas. A meta para
2005 é de criar 100 novas redes com cerca de duas mil empresas.
De acordo com Tiago Simon, diretor de desenvolvimento empresarial
da Sedai, através das redes, os empresários ganham
mais poder de mercado, pois podem comprar, vender e investir em
conjunto.
Um convênio com as universidades gaúchas, firmado no
início do programa, viabilizou a construção
de uma metodologia de formação das redes, repassada
para professores e consultores, que hoje disseminam estas informações
em todas as regiões do estado.
Fonte: jornal DCI - edição de 22/06/2005 - Martiane Welter