Zona Sul reforça presença comprando concorrentes
A
expansão na zona sul do Rio de Janeiro por meio da aquisição
de lojas concorrentes é a tática da rede de supermercados
Zona Sul para consolidar sua imagem no estado fluminense. A intenção
é centralizar os pontos-de-venda na zona sul carioca, mais
precisamente nos bairros de Ipanema, Copacabana, Leblon, Botafogo
e Flamengo, onde residem consumidores de alto poder aquisitivo.
Hoje, o Zona Sul conta com 27 pontos-de-venda nestas regiões.
No ano passado, a empresa comprou 3 lojas da concorrente Farinha
Pura . Em 1998, 2 lojas da rede Bonjour foram compradas, em 99 foi
a vez da Superdelli e do Big e em 2000 duas lojas da rede de Supermercados
Fiesta . Neste ano, mais duas filiais serão abertas, uma
das quais no mês que vem.
Jaime Xavier, diretor comercial da rede, comenta que a intenção
é consolidar a imagem no Estado do Rio de Janeiro e inaugurar
no máximo duas lojas por ano. Para este ano, a intenção
é obter receita real 2% maior.
Enquanto o Pão de Açúcar, a maior rede de supermercados
do País, conta com lojas de 1,5 mil metros quadrados de área
de vendas, em média, a maioria das lojas do Zona Sul tem
300 metros quadrados. O mix de 5 mil itens também é
muito menor que o do Pão de Açúcar, que ultrapassa
15 mil itens. "Só trabalhamos com marcas líderes.
Na maioria dos casos, são produtos de alto valor agregado.
Um de nossos diferenciais é manter um atendimento personalizado
diferente para o público de cada loja, composto na maioria
por consumidores das classes média e alta. Com um sortimento
de produtos enxuto, temos maior controle do que entra e sai na nossa
central de distribuição", observa.
Para Xavier, o Zona Sul se destaca frente às grandes redes
de supermercados pela quantidade de funcionários por loja.
"Temos lojas com 500 metros quadrados que empregam 200 funcionários",
ressalta. De acordo com ele, a maior parte da receita do grupo é
direcionada à folha de pagamentos. "Contamos hoje com
mais de 3,3 mil funcionários. Para 27 lojas, o número
é alto, e tende a crescer. A meu ver, a formação
da equipe de recursos humanos de uma companhia é o que vai
decidir a sobrevivência dela", comenta.
No Rio de Janeiro, o Zona Sul foi o primeiro a oferecer produtos
especiais como verduras e legumes processados e orgânicos.
Segundo Xavier, 20% do mix oferecido é importado, como azeites,
queijos, geléias, massas e principalmente de vinhos. Ao todo,
a rede oferece cerca de 150 tipos de queijos, 23 marcas de azeite,
180 rótulos de vinhos e até pães importados
da França. "Temos a maior variedade de cachaças
brasileiras entre os supermercados do País e o maior sortimento
de cervejas importadas", garante.
Para Xavier, que negocia diariamente com os mais de 2 mil fornecedores
da rede, o fornecedor é quase tão importante quanto
o consumidor para a empresa. "É uma seleção
qualitativa. Não procuramos fornecedores de segundas marcas.
Cada vez mais buscamos no exterior novidades para os nossos clientes.
Anualmente, a nossa lista de fornecedores cresce entre 5% e 10%
com a força das importações", diz.
Preços baixos
Para garantir preços baixos aos clientes do Zona Sul, Xavier
tem duas estratégias: trabalhar com margens de lucro reduzidas
e fazer compras em maior volume. "Procuro sempre reunir os
pedidos de todas as lojas, o que nos garante descontos de até
5% por parte dos fornecedores", conta. Uma das táticas
do executivo é contar com a assessoria de profissionais de
diferentes ramos que possam instruí-lo sobre as melhores
compras e melhores fornecedores.
Internet
Em serviços, o foco do Zona Sul desde o ano retrasado é
a conveniência. "Além de ser o primeiro supermercado
do Rio a vender pela Internet, a rede lançou em 2003 o Zona
Sul Atende 1 Hora, que entrega pedidos com até 15 itens na
casa dos clientes em, no máximo, 60 minutos".
Além dos serviços de e-commerce, Xavier também
procura agregar serviços de pizzaria nas lojas, estratégia
iniciada em 2000. Hoje, nove filiais do grupo têm pizzaria.
"Foi um sucesso. Por isso, há um ano começamos
a oferecer café da manhã em algumas lojas". De
acordo com o executivo, tais serviços atraem mais clientes
às lojas, que presenciam um aumento médio 10% nas
suas vendas. Além da pizzaria e café da manhã,
quatro unidades do Zona Sul têm sushi bar e sete oferecem
o serviço de peixaria. Segundo o diretor, o Zona Sul se posiciona
entre os gigantes do mercado e as empresas regionais.
Marketing
Neste ano, Xavier destinou uma verba para o departamento de marketing
do Zona Sul 25% superior a do ano passado. "Enfocamos esforços
no marketing de relacionamento, extremamente importante para a rede",
diz. Entre as estratégias do executivo não se encontram
comerciais em televisão nem anúncios em jornais, revistas
ou rádio. "Só trabalhamos com gráficas
para elaborar os folhetos que distribuímos aos nossos clientes.
Tomei a decisão de seguir esse caminho porque tenho certeza
de que atingimos mais pessoas e o público que queremos atingir".
Além do alto investimento em marketing, segundo departamento
da empresa que recebe mais verba, atrás apenas do setor de
Recursos Humanos, Xavier destaca os investimentos em tecnologia.
"Hoje, quem não investe em Tecnologia da Informação
(TI) está automaticamente fora do mercado", opina.
Fonte: jornal DCI - edição de 23/03/2005 - Stella Maya