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Parceria entre Pão de Açúcar e Itaú remove juros no cartão

Uma parceria entre o Pão de Açúcar e o Itaú vai permitir que compras acima de R$ 150 sejam pagas com cartão de crédito em até três vezes sem juros em qualquer supermercado do grupo. Normalmente, compras parceladas com cartão pagam juros que variam até 10%, dependendo da administradora. O projeto já está em operação em três lojas com bandeira Pão de Açúcar, na capital, e será estendido ao longo deste ano para as lojas de todas as bandeiras que compõem a rede.

Oficialmente, as empresas não quiseram falar a respeito, por tratar-se, segundo as assessorias de imprensa, de projeto-piloto. Apenas confirmaram o objetivo de implementar o programa em todo o Brasil.

Mas basta entrar em contato com as três unidades por onde o projeto começou - nas avenidas Ricardo Jafet, Indianópolis e Jabaquara - para conhecer o que é oferecido à clientela: consumidores que têm o cartão de fidelidade Pão de Açúcar, o chamado Cartão Mais, podem parcelar compras sem juros, não importa o cartão de crédito. Em consultas a lojas do grupo no Grande ABC, os juros para o parcelamento das compras permanece.

A parceria entre a maior rede de hipermercados brasileira e o segundo maior banco privado do país começou em julho do ano passado, quando as empresas anunciaram a criação da financeira FIC, que está bancando a isenção de juros no parcelamento de compras.

O acordo operacional firmado entre ambos prevê também a criação de cartões de crédito de uso restrito às lojas - que deverá abolir a necessidade de outros cartões - e a instalação de postos de atendimento do Itaú em unidades da rede Pão de Açúcar. A financeira recebeu do banco um aporte de R$ 455 milhões, dos quais R$ 380 milhões foram direto para o caixa da rede de supermercados por conta da cessão de espaços em suas lojas.

Para a rede varejista, a parceria é interessante por facilitar o processo de venda para o cliente. Para o banco, as lojas do grupo - Pão de Açúcar, Extra, Sendas e CompreBem - representam uma chance de atrair clientela de bancos concorrentes.

Outras redes de varejo e instituições financeiras firmaram acordos semelhantes no ano passado. Em março, o Itaú e Lojas Americanas criaram a financeira Taií. Em novembro, HSBC e as lojas Panashop e Best Mix criaram uma financeira com linhas de crédito de até R$ 6 milhões, destinado a parcelamento de compras. No mesmo mês, o Bradesco firmou acordo semelhante com a rede gaúcha de supermercados Sonae. O objetivo é prolongar os prazos de financiamento e reduzir os juros.

Com lucro líquido de R$ 369 milhões em 2004, o grupo Pão de Açúcar registrou crescimento de 64% em relação a 2003. O Itaú registrou lucro líquido recorde no mesmo período, atingindo R$ 3,776 bilhões, 19,8% a mais que no ano anterior.

O segmento de supermercados teve em 2004 seu primeiro resultado positivo após três anos sucessivos de queda. Com crescimento real de 2,57% em relação ao ano anterior, registrou faturamento de R$ 97,7 bilhões. Em 2003, a queda havia sido de 4,50%. No Grande ABC, o crescimento das redes locais foi maior, com médias de 4% a 5%.


Fonte: jornal Diário do Grande ABC - edição de 18/03/2005 - Isaías Dalle